Químicas e procedimentos

Como Voltar a Ter Cachos Novamente Após Alisamento?

É possível voltar a ter cachos depois de um alisamento químico? Entenda o processo de neutralização, tioglicolato de AMP e desintoxicação capilar.

· Atualizado em · 3 min de leitura · por Equipe Folyic
Cabelo cacheado natural recuperado após desintoxicação capilar
Cabelo cacheado natural recuperado após desintoxicação capilar

É POSSÍVEL VOLTAR A TER CACHOS DEPOIS DE UM ALISAMENTO QUÍMICO?

Vou começar a responder a pergunta acima: sim, é possível ter cachos novamente. Mas algumas perguntas precisam ser feitas antes de iniciar o retorno dos seus cachos:

  • Qual base alisante foi usada em seu cabelo?
  • Quando foi sua última química?
  • Quais os cuidados e produtos utilizados em casa?
  • Fez o teste de mecha? Qual o resultado?

Mesmo respondendo essas perguntas, um profissional consciente realizaria, antes de qualquer procedimento químico, um teste de mecha para avaliar qual o grau de resistência que o cabelo apresenta e se ele suportará tal procedimento.

Infelizmente, temos um crescente muito grande de alisamentos ilegais em nosso país que atuam no cabelo por deposição de resíduos ácidos e corrosivos mediante os níveis de pH, e comprometem a compatibilidade do cabelo com outros produtos.

Com o passar dos anos, os mecanismos convencionais reconhecidos e legalizados pela ANVISA foram esquecidos. São esses:

  • Hidróxidos: atuam na parte externa do cabelo (cutícula) promovendo uma reação no cabelo de lantionização, ou seja, o desligamento parcial de algumas moléculas de enxofre.
  • Tioglicolatos: atuam na parte interna do cabelo (córtex) promovendo uma reação de oxirredução, ou seja, a mudança do aminoácido cistina em cisteína, que é mais flexível e menos rígida em comparação à cistina.

Para retornar os cachos ou desenhar uma nova formação no cabelo, precisamos de um mecanismo que tenha duas características principais:

  • Capacidade de solubilizar (neutralizar) esses resíduos deixados por essas “escovas ácidas”.
  • Possuir um pH (fator que determina o quanto o produto vai interagir com o cabelo de forma agressiva ou não) que permita uma compatibilidade com este cabelo processado e que também mantenha a integridade do mesmo.

Atualmente sabe-se que este produto já existe e que faz parte de um grupo químico já citado no texto, os tioglicolatos, que é constituído da clássica reação ácido-base:

C4H11NO + C2H4O2S = C6H13NO2S + H2O

(Amino Metilpropanol + Ácido Tioglicólico = Tioglicolato de AMP + Água)

AMP Ultra PC 2000 é uma alcanolamina primária com 95% de ativo e 5% de água, utilizada como neutralizante há mais de 20 anos pela indústria cosmética. Comprovadamente seguro (teor de amina secundária e nitrosamina de acordo com o permitido em produtos de cuidados pessoais e cosméticos), é aprovado na comunidade europeia, Japão e EUA. A alcanolamina não altera a coloração da formulação, pouco volátil e praticamente incolor. Seu baixo peso molecular e largo espectro de atuação como base equivalem a 1/3 da quantidade normalmente aplicada em formulações, em comparação a outras aminas menos eficientes e de alto peso molecular (LEITE, 2009).

Ao aplicar o produto Tioglicolato de AMP, é observada, a cada aplicação, a remoção parcial dos resíduos deixados pelas escovas ácidas. Com isso surgiu também o termo “desintoxicação capilar”, no qual é possível melhorar a qualidade do cabelo por remover o produto que está comprometendo a fibra, as colorações, descolorações e outras bases alisantes, além de oferecer a possibilidade de retornar os cachos do cabelo ou redesenhá-los em uma nova condição.

Procure um profissional que se preocupe com a qualidade do seu couro cabeludo e cabelo, pois até as químicas capilares seguras e legalizadas possuem riscos, e nesses casos é preciso fazer um levantamento do histórico químico do cabelo, realizar um teste de mecha e, se necessário, realizar tratamentos no cabelo antes do processo final.

Independente do produto ser suave ou testado dermatologicamente, ainda assim é química, mas possui mais segurança para o profissional que executa e o cliente que receberá o tratamento.

Referências bibliográficas
  • LEITE, J. Boletim técnico AMP-ULTRA PC 2000. 2009.
  • CRUZ, C. et al. Procedimentos capilares de transformação como mecanismos de danificação à fibra capilar. Ulbra Santa Maria, 2009.
  • FONT, E. Fotoprotección capilar — Ortocórtex e Paracórtex. Madrid, 2004.

Próximo passo

Da leitura à condução: uma avaliação criteriosa do seu caso.

Os artigos ajudam a compreender. Mas cada caso pede uma leitura individualizada. A avaliação capilar sistêmica é o caminho para entender o que faz sentido para você.

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